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Como cuidar da saúde mental em meio ao ódio das redes sociais?

Atualizado: 20 de mar.

Com tantas polêmicas dentro e fora da água que temos acompanhado no surf, o ódio e as agressões virtuais tornaram a nossa comunidade um ambiente tóxico que já está refletindo até mesmo no outside.


Para abordar um tema tão importante, convidamos a psicóloga Viviane Carcavallo Alves CRP 06/103612 para ajudar a entender e tentar nos blindar um pouco de tudo de ruim que as redes sociais tem trazido em nossas vidas.


ódio nas redes sociais
Çonteúdo muito valioso

1- O quanto comentários negativos em redes sociais impactam a nossa vida? E mesmo que os comentários negativos não sejam direcionados a nós, é possível ainda que eles impactem a nossa saúde mental?


A internet tem sido um grande termômetro para nos mostrar a consequência assustadora que a falta de manejo e cuidado, a falta de afeto ou excesso dele, a falta de limite ou excesso de limite, a falta de preocupação com o emocional nas formações das pessoas. Tudo isso causa sérios adoecimentos psíquicos e atinge toda sociedade.


Ao acessar somente aquilo que você se identifica e tem como verdade, a tendência é desenvolver menos tolerância e mais discriminação com o que fica de fora da sua própria há uma sensação de recompensa ao estar entre os que pensam de forma semelhante e de enfrentamento quando nos deparamos com o que é diferente. Assim, o ataque aparece subjetivamente como defesa ao que não reconheço e por isso identifico como ameaça.


Quando não vivemos uma socialização voltada para a alteridade, que busca reconhecer as diferenças na formação do outro e em si mesmo, bem como pensar as diversidades que constituem as relações, tudo aquilo que não pertence ou que não pode fazer parte de mim é interpretado como ameaça. Como diz o ditado popular "a melhor defesa é o ataque", se vemos ou lemos algo que soa perturbador, agimos para invalidar os envolvidos e mobilizamos vários recursos de proteção que provocam ansiedade e desconforto, e só contribuem para a falta de acordo ou entendimento na comunicação.

Além de aumentar a irritação e a insatisfação, ao participar desses embates constantes, ficamos com a sensação de viver em um mundo caótico e perigoso, do qual precisamos nos defender a todo o momento. Ficar nesse estado de alerta contínuo pode causar adoecimento psíquico, já que o medo e a ansiedade são alguns dos gatilhos para a depressão.


Encarar as situações com tolerância e humildade é o caminho para estabelecer relações mais saudáveis e respeitosas, consigo e com os outros. Faz parte de um importante amadurecimento internalizar que somos plurais no modo de agir e pensar, e mesmo que aconteça com alguém de fora do nosso grupo, é fundamental denunciar casos de discriminação e discursos de ódio contra minorias sociais que são crimes.


Cyberbullying: Por trás de uma tela, ganhamos coragem para dizer/escrever coisas que seriam muito mais difíceis pessoalmente. Isso é bom por um lado: muitas pessoas com dificuldade em interações interpessoais encontram ali amigos e até relações afetivas por conseguirem se expressar melhor.


Por outro, há quem abuse dessa maior liberdade para propagar opiniões e comentários inapropriados, prejudicando terceiros. As redes são um terreno fértil para o cyberbullying, isto é, a violência psicológica e a perseguição de pessoas por meio da internet.


O tempo dedicado a elas pode gerar consequências negativas em vários aspectos, como na percepção sobre a própria vida, autoestima, qualidade dos relacionamentos interpessoais, comportamento alimentar, produtividade da rotina e até no ciclo de sono. 


Brigas nas redes sociais
ódio nas redes sociais

2 - Como evitar que o uso das redes sociais intoxique nossas mentes e vidas?


Tentar usá-las de forma o mais saudável possível.

  • Curadoria do conteúdo nas redes socias: Selecione e filtre suas redes sociais com conteúdos construtivos que tragam sensação uma possível sensação de harmonia com seus valores, positivos e informações de redes confiáveis.  

  • Limite o tempo de uso das redes sociais: Estabeleça e configure os limites de tempos de uso das redes sociais.

  • Foque na sua vida presencial e no tempo presente: distrair, lembre-se de outros hábitos e hobbies e incorpore-os novamente à sua rotina. Deixe o celular longe para aproveitar o momento.

  • Desative as notificações para que não alimente o vicio de recompensa e validação das redes.

  • Lembre-se sempre: AS REDES SOCIAIS MOSTRAM APENAS UM RECORTE DA VIDA DAS PESSOAS. Evite comparações, respeite sua história e momento de vida.



Mindfullness
Como evitar que as redes sociais nos intoxique?

3 - Por que as pessoas atacam tanto as outras nas redes sociais?


A agressividade e perversidade humana sempre esteve presente nas relações sociais, atualmente isso se mostra mais latente principalmente nas redes sociais e muitas vezes veladas como valores sociais. Sendo uma ação com o objetivo de agredir, perseguir, ridicularizar e/ou assediar.


Denota que a falta de empatia e controle emocional é um grande sintoma da imensa imaturidade do ego e incapacidade de lidar com frustrações e as diversidades. O uso das redes sociais de relacionamento virtual tornou-se uma febre mundial, e esses espaços causaram uma verdadeira revolução na forma de os indivíduos se comunicarem (ALMEIDA, 2014). Esses perfis podem ser uma parte da pessoa ou uma criação de outra persona.


As redes sociais encorajam pessoas com posições extremas a se sentirem mais confiantes para expressá-las. Pessoas que se sentem impotentes ou frustradas se comportam desta maneira para se apresentarem como se tivessem mais poder. E as pessoas costumam se sentir mais poderosas tentando diminuir ou ofender alguém. As pessoas são as mesmas, online ou offline. Mas a internet tem a ver com respostas rápidas. É diferente da experiência social offline, em que você se policia por conta da proximidade física do interlocutor. Nós já estamos acostumados com a ideia de que nosso comportamento obedece a regras sociais, mas ainda não percebemos que o mesmo vale na internet.



Por que as pessoas se atacam nas redes?
Ataques nas redes sociais


4- Qual o momento de parar e reconhecer que precisamos tirar um tempo para cuidar da nossa saúde mental?


Sintomas que envolvem tanto o emocional, quanto o reflexo desse desequilíbrio no corpo humano, atrapalhando o dia a dia do indivíduo e suas relações. Contudo, deve-se ressaltar que não é preciso os sinais aparecem para procurar por ajuda, isso pode e deve ser feito quando desejar.


  • Insônia ou sono irregular, que não promove descanso; 

  • Queda nos níveis de energia; 

  • Alterações incomuns no apetite, como perda ou excesso; 

  • Indisposição e dificuldade em levantar da cama; 

  • Mau humor, irritabilidade e tristeza; 

  • Perda de interesse em atividades que antes sentia prazer; 

  • Incapacidade de cumprir suas obrigações de rotina; 

  • Raciocínio lento e perda de concentração. 


É muito importante procurar ajuda profissional e no seu círculo social ao perceber qualquer desses sintomas e em qualquer intensidade. Não espere eles passarem sozinhos ou que estejam atingindo a sobrecarga. 


A saúde mental quando afetada também pode ser observada através de sintomas físicos, que não apresentam razão aparente. Como a falta de energia intensa, tal como dores e tensões no corpo.


5- O que fazer para cuidar da nossa saúde mental quando chegamos nesse momento de quebra?


  • Tente descansar e respeitar seu cansaço;

  • Mantenha o check-up médico em dia;

  • Estabeleça uma rotina organizada conforme sua realidade;

  • Pratique atividade física;

  • Construa boas relações interpessoais e cultive essas relações;

  • Desenvolva hobbies;

  • Mantenha uma boa rotina de sono;

  • Aprenda técnicas de gerenciamento de estresse (Meditação, Respiração diafragmática, ASMR)

  • Cuidado com a comparação excessiva;

  • Tenha momentos de lazer sozinho ou com suas relações saudáveis;

  • Diminua o tempo online e equilibre o vício pela internet;

  • Estabeleça objetivos e metas alcançáveis;

  • Busque ajuda profissional especializada de saúde mental, para manutenção, autoconhecimento. Não espere chegar ao seu limite de esgotamento emocional.



Vamos tirar um tempo para nos cuidar
É hora de dar uma pausa


6- Como proteger nossa saúde mental ao longo da vida?


A saúde mental é entendida como “um estado de bem-estar no qual o indivíduo perceba as suas próprias capacidades, possa lidar com as tensões normais  da  vida,  possa  trabalhar  de  forma  produtiva  e  frutífera  e  possa contribuir para a sua comunidade” (Segundo a Organização  Mundial  da  Saúde OMS,  2021)


A Saúde Mental de uma pessoa está relacionada à forma como ela reage às exigências da vida e ao modo como harmoniza seus desejos, capacidades, ambições, ideias e emoções. Ter saúde mental é:


  • Estar bem consigo mesmo e com os outros

  • Aceitar as exigências da vida

  • Saber lidar com as boas emoções e também com aquelas desagradáveis, mas que fazem parte da vida

  • Reconhecer seus limites e buscar ajuda quando necessário


Cuidar da saúde mental não é algo reservado somente a atletas e celebridades. Cuide melhor da sua mente para que você tenha uma vida plena e saudável.



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Bibliografia e pesquisas:


 

DE SOUZA, Vinícius Cardoso; VELOSO, Rafael Campos. Psicologia do esporte e surfe: aspectos socioculturais e psicológicos, Curitiba: CRV, 2021.

 

 

Aranha, Glaucio. (2014). Flaming e cyberbullying: o lado negro das novas mídias. Ciberlegenda. 10.22409/c-legenda.v0i31.26316.

 

Santos, T. C. A. dos ., & Rodrigues, K. L. A. . (2023). IMPACTOS DAS REDES SOCIAIS EM RELAÇÃO À AUTOESTIMA E AUTOIMAGEM. Revista Ibero-Americana De Humanidades, Ciências E Educação, 9(3), 851–862. https://doi.org/10.51891/rease.v9i3.8724

 

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